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Foco Ambiental Sustentável - Cadê a água daqui III?

- Postado, Quinta, 16 Setembro 2021 23:13 Por

Cadê a água daqui III?

O artigo de hoje tem uma colaboração importante da SOS Mata Atlântica, que gentilmente nos cedeu parte deste artigo.

AS CIDADES PRECISAM DE APP E ÁRVORES PARA CONVIVER COM AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Devemos não só proteger e restaurar as Áreas de Preservação Permanente, que são alvos constantes de descasos por nossos legisladores, como também aumentar as áreas verdes e parques, para podermos atenuar e conviver com os efeitos do aquecimento global.

As APPs (Áreas de Preservação Permanente) urbanas. Não custa recordar que as APPs são áreas de alta fragilidade ambiental e de grande importância ecológica. Por isto, recebem este nome e precisam estar permanentemente protegidas pela vegetação nativa. Entornos de nascentes, beiras de rio, várzeas e áreas declivosas são os seus principais exemplos. Elas protegem a água e o solo, além de ter um papel importante para conectar ecossistemas e conservar a biodiversidade. Garantem a oferta de água, evitam a contaminação dos rios e protegem os morros de desmoronamentos.

Os projetos de lei (PL) 2800/15, 1709/19, 1709/19 e 4472/19 propõem a diminuição da proteção das APPs urbanas, seja permitindo imóveis nestas áreas, reduzindo a sua faixa de abrangência nas cidades ou transferindo esta decisão para os Planos Diretores das Cidades. Apesar de relatórios contrários a essas mudanças e de notas técnicas levadas às Comissões permanentes da Câmara dos Deputados, seus proponentes insistem na tramitação dos projetos de lei.

O relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) publicado no início de agosto foi categórico em afirmar o aquecimento global como um fenômeno presente e uma consequência da atividade humana. O planeta já aqueceu 1°C desde o início da era industrial. O clima muda rapidamente e o planeta aquecerá ainda mais. Alcançarmos somente 1,5° de aquecimento ainda é possível, mas exige ações imediatas para evitar os cenários mais catastróficos.

O IPCC deixou muito claro que os eventos climáticos extremos serão cada vez mais frequentes e mais intensos. Isto é, teremos secas cada vez mais prolongadas e ondas de calor e consequentemente faltará água potável nos grandes centros urbanos, assim como grandes tempestades, enchentes e inundações.

Assim, além de mitigar as mudanças climáticas, temos que nos adaptar a um planeta com um clima mais imprevisível e mais intenso, fenômenos como a tragédia de Petrópolis de 2011 e as enchentes da Europa, furacões na américa do Norte, onde Nova York recebeu um dos maiores índices de destruição deste ano, serão cada vez mais comuns e mais violentos.

No Brasil, em eventos climáticos que levaram a enchentes e deslizamentos de terra, as áreas mais atingidas e com maiores prejuízos foram as de APPs com

ocupação humana, sejam em morros ou beiras de rios. Sendo assim, fica evidente que vamos precisar cada vez mais de florestas e árvores em nossas cidades, e revitalizar as áreas urbanas já devastados pelo crescimento desordenado. Precisamos urgentemente proteger e restaurar as nossas APPs, como também aumentar as áreas verdes e parques, sobretudo parques lineares nas cidades para podermos atenuar e conviver com os efeitos das mudanças climáticas.

Obs.: Esse artigo tem sua cessão de créditos aos colegas *Malu Ribeiro e Mario Mantovani são, respectivamente, responsáveis pelas áreas de Políticas Públicas e Advocacy da SOS Mata Atlântica.

Geovane Bassan é geógrafo e educador ambiental